7 Razões das Más Escolhas no Amor e Por Que Insistem em Ficar

Escolher alguém que machuca raramente é falta de inteligência ou de caráter. Esta lista das “7 Razões das Más Escolhas no Amor e Por Que Insistem em Ficar” é apenas uma amostra das possíveis raízes envolvidas neste tipo de “escolha” amorosa, que na maioria das vezes, é repetição.

Pessoas repetem padrões aprendidos (ensinados) cedo e é comum, confundirem familiaridade com segurança e insistem em relações que doem porque, em algum nível, foi assim que aprendeu como as relações funcionam. As pessoas nomeavam isso como amor e proteção, tais como: “eu te bato porque te amo“, “eu faço isso para você aprender“, “faço para que outros não façam” . E a pessoa acaba por aceitar que isso é amor. 

Confundir familiaridade com segurança é um dos enganos mais comuns nas relações. O que é conhecido tende a parecer previsível, e o previsível dá uma falsa sensação de controle. Mesmo quando dói. O que já se conhece exige menos esforço emocional do que o novo, o desconhecido. Por isso, padrões aprendidos na infância, como negligência, crítica constante ou instabilidade, podem ser vividos como “normais”, enquanto relações estáveis e respeitosas soam estranhas, frias ou até entediantes.

É muito comum pessoas não conseguirem ver o amor à sua frente, simplesmente porque não o reconhecem, porque, provavelmente, nunca o experienciaram em sua plenitude.  Muitas vivem em busca de fortes emoções, intensas, demonstrações físicas, públicas, extraordinárias para se sentirem amadas. Quando isso não existe, elas sentem que falta algo.

Não é que a pessoa goste de sofrer. É que a estrutura com a qual aquela pessoa foi formada reconhece aquilo como familiar e o familiar, ainda que funcione mal, é interpretado como seguro.

7 Razões das Más Escolhas no Amor

1. Modelos Precoces Estruturantes

Pessoas que cresceram em ambientes de autoritarismo, agressividade e ameaças foram estruturadas na ideia de que esses padrões são normais. E é comum que se ouça frases como:

“Se te bate, é porque se importa.” ;

“Homem é assim mesmo.” ;

“Ela é muito brava.” ;

“Melhor estar com alguém do que sozinha.”;

“Quem ama, cuida do que é seu.”;

“Ela é ciumenta.”

São crenças centrais comuns e perigosas que normalizam o abuso.

Crença típica que impede a avaliação e atitude saudáveis:

“Eu só sou digna de amor se suportar tudo calada.”

2. Baixa Autoestima e Necessidade de Aprovação

Quem cresceu sendo punido por falhas naturais (sem acolhimento/orientação ou diálogo) geralmente desenvolve:

– Sentimento de inadequação crônica;

– Necessidade de agradar para ser aceito;

– Medo extremo de rejeição. Muitas vezes rejeita antes.

Esses fatores tornam essas pessoas altamente vulneráveis a parceiros manipuladores e abusivos, pois acreditam que o problema está nelas, não na relação.

3. Repetição de Padrões Traumáticos

Pela lente da Psicologia Comportamental, comportamentos aprendidos tendem a ser repetidos.
Na vida adulta, é comum:

– Escolher parceiros que repitam o mesmo tipo de tratamento abusivo sofrido na infância;

– Confundir controle com cuidado e ciúme com amor;

– Recriar cenários familiares, tentando “corrigir” o passado, inconscientemente, em razão daquele modo “ser seguro”.

4.  Avaliação Deformada e Pensamentos Automáticos (ideias rápidas sem avaliação real)

A TCC mostra que as vítimas frequentemente acreditam em pensamentos/ideias como: – “Não vou encontrar ninguém melhor.”- “Eu mereço isso.”“Ele(a) vai mudar.”“Foi minha culpa quando ele(a) explodiu.”

Esses pensamentos reforçam a culpabilização da vítima e a dificuldade de romper o ciclo.

5. Violências e Carinho Intermitente e Dependência Emocional

Abusadores frequentemente alternam entre:

– Momentos de carinho e desculpas (especialmente após as agressões)

– Episódios de abuso e violência.

Esse ciclo é um exemplo clássico de reforçamento intermitente, que gera um fortíssimo vínculo emocional, semelhante ao vício. Comportamento idêntico ao de mães e pais agressores que intercalam agressões e humilhações com carinho, cuidados quando a criança está doente, agrados como fazer a comida que o filho gosta, dar doces, presentes, etc. 

A vítima vive na esperança de que o relacionamento volte a ser “bom”, como nos primeiros dias ou nos períodos em que a pessoa agressora é carinhosa. É um ciclo vicioso, no qual, sem perceber, a vítima colabora baseada nesta esperança. Se a vítima não quebrar este ciclo, não será o algoz, que também é uma pessoa com graves problemas, que o fará.

6. Medo Real e Isolamento Progressivo

Com o tempo, muitas vítimas:

– Perdem apoio familiar e de amigos que se cansam da falta de atitude;

– São convencidas de que ninguém acreditaria nelas (o que Amber Heard dizia para Johnny Depp);

– Têm medo de retaliação se tentarem sair;

– Já ouviram ameaças diretas contra sua vida ou dos filhos.

O medo deixa de ser subjetivo e passa a ser justificadamente real, o que exige ação legal, psicológica e social combinadas para proteção e ruptura.

7. A Falsa Ideia de Que “Apanhei e Não Morri” Justifica o Presente

Muitas vítimas reproduzem o discurso aprendido na infância:

– “Meu pai também era assim com minha mãe, e eles ficaram juntos.”

– “Apanhei e estou vivo, então, é normal.”

– “Quem passou pelas chineladas da mãe ou cintadas do pai ficou mais forte.”

Esse tipo de raciocínio naturaliza o trauma, tornando-o um roteiro para suas próprias escolhas afetivas.

O Resultado?

– Escolhas afetivas baseadas na dor, não no amor.

– Incapacidade de perceber os sinais iniciais de abuso.

– Permanência em relações destrutivas até o ponto de ruptura ou risco de vida.

– Filhos que presenciam e herdam os mesmos padrões, perpetuando o ciclo.

Soluções Possíveis

Psicoterapia com base em TCC e Comportamental, focando:

– Identificação de crenças que impedem comportamentos saudáveis;

– Avaliação e correção destas crenças;

– Capacitação para se proteger e lidar com situações altamente estressantes;

– Reforço da autoestima e da autocompaixão.

A Teoria Adquire Verdadeiro Valor Quando Se Transforma Em Prática.

Compreender o problema é essencial, porém é a aplicação orientada desse conhecimento que promove mudanças consistentes e duradouras.

Caso as reflexões apresentadas neste espaço sejam pertinentes à sua realidade, o acompanhamento profissional pode oferecer um caminho estruturado para ampliar a clareza emocional, fortalecer decisões e desenvolver estratégias mais eficazes diante dos desafios atuais.

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